No último dia 30 de março a agência americana para a segurança dos alimentos (FDA) anunciou que deverá manter autorização para a presença do composto químico bisfenol A nas conservas e sucos, alegando que não há provas científicas sobre sua toxicidade para seres humanos.
O bisfenol A (BPA), composto químico utilizado em latas de conserva, mamadeiras, embalagens de sucos e garrafas plásticas, de policarbonato, é apontado como um desregulador endócrino e como potencial causa de alguns tipos de câncer, como mama e próstata, elém de outras doenças que afetam o sistema reprodutivo e desenvolvimento neurológico.
A organização americana Natural Resources Defense Council (NRDC) apresentou em 2008 à FDA um pedido para proibir o uso do BPA, citando estudos sobre sua possível responsabilidade em anomalias cromossômicas, aborto involuntário, diabetes, problemas cardíacos e disfunção eréctil.
De acordo com o órgão federal , a FDA rejeitou o pedido da NRDC por falta de dados científicos necessários para mudar a norma vigente.
Embora haja pesquisas que apontam supostos efeitos nocivos do BPA à saúde humana, enquanto os estudos não são conclusivos, os representantes da FDA ressaltam que permanecem sérias dúvidas sobre estes estudos, especialmente em relação ao impacto do BPA nos seres humanos.
O Canadá foi o primeiro país, em 2009, a proibir embalagens de plástico fabricadas com BPA rígido, uma medida seguida por outros países, como França e Dinamarca.
Na França, o BPA será proibido em todas as embalagens de alimentos a partir de 2014.
No Brasil, a Anvisa determinou a proibição das mamadeiras com BPA desde janeiro deste ano.
Os especialistas brasileiros mantém posicionamento contra a utilização do BPA
Baseados no princípio de precaução, os médicos endocrinologistas que integram o GTDE (Grupo de Trabalho em Desreguladores Endócrinos) e que estão à frente da Campanha “Diga não ao bisfenol A, a vida não tem plano B”, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), defendem a proibição da comercialização de embalagens plásticas que contenham em sua composição o bisfenol A (BPA). “A exemplo do que presenciamos com relação às mamadeiras e produtos infantis feitos à base de policarbonato, proibidas de serem comercializadas desde janeiro deste ano pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), consideramos que o uso dos demais produtos e embalagens, especialmente aquelas que acondicionam alimentos e que entram em contato diretamente com o organismo humano, devam ser evitadas, uma vez que há evidências de que tal substância possa afetar o desenvolvimento neurológico e sistema reprodutor, podendo causar doenças crônicas como o diabetes, infertilidade, câncer”, informa a Dra. Elaine Frade Costa, coordenadora do GTDE.